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Lolita, de Vladimir Nabokov.

Lolita, de Vladimir Nabokov

Comecei a ler Lolita.

Sim, Lolita. Já tinha pouco com que me coçar com o Mein Kampf, escolhi Lolita, para fritar de vez.

Li Lolita há muitos anos, mas não tinha a maturidade para compreender.

Hoje sim, sei que tenho as ferramentas para dissecar o livro, o Romance.

E as primeiras páginas….

Que tenho eu a dizer?

Como é possível Humbert ser tão chocante e sedutor?!?

Ele pega na afirmação: “Eu fiz uma coisa horrível” para “ Vou explicar-te tão bem porque fiz isto que talvez penses que não é assim tão horrível”.

Humbert está a apresentar um argumento moral, não apenas a contar a sua história.

O raciocínio;

Eu vivi um amor intenso e interrompido na adolescência.

Esse amor marcou-me e deixou em mim uma espécie de desejo permanente.

Existem outros homens que fizeram coisas semelhantes ou piores.

A sociedade tolera ou relativiza determinados comportamentos masculinos.

Porque razão haveria de me condenar a mim?

Portanto, desloca intencionalmente o centro da questão de; O que está a fazer a uma criança?” para “Porque razão ele se tornou assim?

Manipulação narrativa.

E essa impressão das primeiras páginas é deliberadamente provocada pelo Nabokov. Ele está a construir uma narrativa para convencer o leitor de que aquilo que fez pode ser compreendido como uma grande história de amor.

Existe o trauma fundador e depois tenta estabelecer uma equivalência entre aquilo que sentiu por Annabel e aquilo que sente depois por Lolita.

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