Capítulo I – Muita parra para pouca uva

Apresenta retrospectivamente a infância e juventude. Descreve-se como muito determinado, obstinado, convencido das próprias ideias e pouco disposto a ceder.

Constrói a infância para mostrar que foi sempre assim.

Tem dificuldade em aceitar que a realidade possa contrariar aquilo que ele já decidiu como verdade.

Que pena que não teve a oportunidade de escrever o seu próprio elogio fúnebre. Mas houve uma alma iluminada que o fez. Apresento-lhes Knut Hamsun.

I’m not worthy to speak up for Adolf Hitler, and to any sentimental rousing his life and deeds do not invite.

Hitler was a warrior, a warrior for humankind and a preacher of the gospel of justicefor all nations. He was a reforming character of the highest order, and his historical fate was that he functioned in a time of unequaled brutality, which in the end failed him.

Thus may the ordinary Western European look at Adolf Hitler. And we, his close followers, bow our heads at his death.”

Hobsburgos, governaram o império Austro-Húngaro, final da 1ª guerra mundial.

Hitler cresceu num império onde várias identidades nacionais e linguísticas coexistiam e entravam em conflito político. (Alemães, checos, húngaros, eslovacos, croatas, polacos, ucranianos, romenos sérvios, so on, so on).

Prestei especial atenção quando ele aborda o tema da educação nas crianças.

De pequenino se torce o pepino. Ou moldamos o barro quando ele ainda está mole.

Quando uma criança aprende uma ideia muito cedo, o que faz com essa ideia se torne uma convicção própria e não simplesmente aquilo que lhe ensinaram?

A educação não é apenas transmissão de conhecimento. É também formação de critérios, valores, identidade e capacidade crítica.

O poder máximo não consiste em obrigar alguém a repetir uma ideia.

Consiste em fazer com que essa pessoa a experimente como pensamento próprio.

A educação pode formar capacidade crítica. Ou pode ensinar exactamente quais são as perguntas que nunca devem ser feitas.

Posso dizer à parte da educação o primeiro capítulo foi chato e aborrecido. Sei que Hitler não era dado às letras, ou a coisa nenhuma. Tentou seguir carreira nas artes e na arquitetura mas falhou redondamente. Nessa altura já tinha ares de grandeza faltando talento. Arendt não chegou a tempo de ensinar Hitler, mas chegou a tempo de nos explicar o que ele fez.

Hannah Arendt serve para perceber, retrospectivamente, como funcionam mecanismos que ele próprio ajudou a construir: totalitarismo, propaganda, destruição do espaço público, transformação de pessoas em massas, banalização da obediência e erosão do pensamento crítico.

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